A Criação – Episódio 12 – L.P.Faustini e R.M.Pavani

Olá insones foliões …

… espera … foliões não seriam aqueles que curtem o carnaval? Enfim, você aí que acabou de comer tudo o que podia e o que não podia no almoço de natal, trocou presentes com amigos e familiares e agora está zapeando pela internet em busca de algo interessante para ler enquanto espera que a ressaca passe, acomode-se na sua cadeira predileta e curta o décimo segundo episódio da série A Criação.

E neste episódio de natal trago até vocês o processo criativo da dupla L.P.Faustini e R.M.Pavani, autores do livro Maretenebrae – A Queda de Sieghard. Este também é o último episódio da temporada, afinal, estamos na última terça-feira de 2012. Mas calma, ano que vem tem mais e muita coisa boa está por vir.

PROCESSO CRIATIVO DE MARETENEBRAE – A QUEDA DE SIEGHARD

# INSPIRAÇÕES:

L.P.FAUSTINI

Para falar sobre o processo criativo de nossa obra, primeiro preciso recordar de uma ocasião em que me perguntaram quais autores me inspiraram para criar o mundo de Maretenebrae. E eu o respondi da seguinte forma:

“É complicado dizer quais autores nos inspiraram (somos dois autores), até porque somos inspirados pelo nosso meio, pelas nossas atividades e pela nossa educação. Podemos falar em autores prediletos, mas convém ressaltar que nossa predileção não significa necessariamente que usamos de suas obras para dar uma base ao nosso romance. Somos autores originais, que escrevemos seguindo o que nos tornamos como pessoas, tomamos como base pessoas que convivemos, situações que vivemos, sentimentos que passamos em vida. Aliás, resumindo, podemos dizer que nossa inspiração foi principalmente a vida.”

R.M.PAVANI

Desde a minha mais tenra infância, fui um apaixonado pelo fantástico: a arte, o cinema, as animações, os livros. Tudo me fazia sonhar. Tudo me fazia desenvolver os sonhos que me encantavam. Lendo, assistindo, ou me colocando nos lugares dos personagens que se alinhavam diante dos meus olhos, eu respondia a esses anseios, e me identificava com eles. A mortalidade da condição humana eternizava-se em todos esses momentos. Foram muitos os livros revirados na casa da minha tia Ângela – materna e professoral como ela só (todos nós temos uma tia professora, já perceberam?): contos de fadas, histórias de capa e espada, a lendária Série Vagalume, da Editora Ática, e por aí vai. Enfim, seria impossível descrever quais foram (e quais são) as inspirações para redigir um livro de fantasia medieval. As fontes das quais bebo (e bebi) são várias e variáveis, e não há espaço neste texto, nem em quaisquer outros, que possam conceber em detalhes o que me propôs a fazer o meu amigo escritor.

# PERSONAGENS:

L.P.FAUSTINI

Eu, particularmente, não sou leitor de fantasia épica (li o Senhor dos Anéis, mas parei no “Duas Torres”, além de outros romances pequenos). Durante minha vida, tive muito mais contato com assuntos sobre religião, ciência, história e filosofia que temas fantásticos (a não ser por alguns jogos de videogame que tenha jogado na minha tenra juventude). Talvez seja por isso que os leitores de Maretenebrae tenham o achado tão original. Sem base literária nenhuma, ao dar vida aos personagens, a opção era pensar em algum amigo/conhecido meu, em uma situação que tenha passado ou mesmo que tenha imaginado ou sonhado. Por exemplo, um grande amigo meu chamado Victor, que forneceu base ao personagem Victor Didacus, me deu a seguinte resposta quando lhe perguntei por que ele não tinha Facebook, Orkut e não participava de nenhuma rede social: “Essa coisa de rede social é para a plebe. Não perco tempo com essas coisas”. Então o fato do personagem Victor Didacus ser anti-social e extremamente crítico à condição humana, remete ao meu amigo que anda escondido por aí.

R.M.PAVANI

Luiz havia pensado previamente em sete personagens, cada um deles simbolizando um dos sete pecados capitais. Sugeri que, juntamente com esses pecados, nós também trabalhássemos as sete virtudes cardiais. Porém, em nenhum momento quisemos tornar a obra uma alegoria cristã, como faz C. S. Lewis e suas esplêndidas Crônicas de Nárnia. Apenas que, se estamos criando um mundo e, por conseguinte, seres de carne e osso, inspirados em nosso período medieval, nada melhor do que utilizar valores que lá estavam. Além dessas características, também nos serviram de modelo alguns arquétipos dos jogos de RPG, sobretudo o Dungeons & Dragons. Neste jogo são comuns a presença do paladino, do bárbaro, do arqueiro (ranger), do mago. No entanto, figuras como Victor Didacus (um sábio), Petrus (um pastor) e Formiga (uma espécie de McGyver) fogem um pouco a esse padrão.

# TRAMA

L.P.FAUSTINI

Quanto à trama, eu sempre gostei de conspirações. Sou fanático pelo misterioso, pelo enigmático, pela dúvida. Sempre li revistas sobre ufologia, profecias, egiptologia. Já li Nostradamus, Eram os Deuses Astronautas, Deuses Túmulos e sábios. E ao mesmo tempo, sempre gostei de temas filosóficos, sobre a natureza do bem e do mal, o mito da caverna, predestinação. A trama de Maretenebrae é um apanhado geral entre histórias de mistério e filosofia, claro que de maneira muito mais sóbria, embutidos numa aventura épica com muita ação (também resquícios da minha infância em um condomínio de casas no alto de uma montanha com muito mais vegetação que casas). É uma fórmula que espero dar certo. Afinal, quem não gosta de recordar dessa época de ouro quando achávamos sermos imortais?

R.M.PAVANI

Apesar de não se tratar de um romance histórico, já que não é passado em nenhum momento da história humana, mas sim em um outro universo, a história faz menção a alguns aspectos da Idade Média europeia – século V ao XV, a rigor – período o qual muitos imbecis insistem em chamar de Idade das Trevas (também assunto para futuras postagens): valores deixados de lado na sociedade contemporânea, como a própria divisão hierárquica entre nobres e plebeus (que não se confunde, em absoluto, com a divisão entre ricos e pobres que temos hoje); honra (se alguém, hoje, sente a sua honra ferida, não pode simplesmente se vingar, já que quem detém o poder coercitivo legítimo é somente o Estado; o espírito de religiosidade (digam o que quiserem, mas os indivíduos do século XXI, ao menos do lado ocidental do mundo, apesar de afiliarem-se a agremiações religiosas de toda ordem, são infinitamente menos religiosos do que no período medieval). Quando Nietzsche disse, lá nos finais do século XIX, que “Deus está morto!”, ao contrário do que muitos cristãos ignorantes (e veja, nem todos o são) acreditam, não significa que estivesse fazendo alguma apologia ao ateísmo. Ao contrário, estava constatando as transformações pelas quais a sua sociedade passava. O mundo ficou desencantado. Não se tem mais exemplos de experiências miraculosas e sobrenaturais (é claro, sem contar o teatralismo das Igrejas Neopentecostais em busca de dinheiro). Quem governa o mundo não é o sentimento religioso, mas sim o capital, o dinheiro, o bem-estar. Não é à toa que muitos procuram igrejas, não para salvarem suas almas, mas sim sua pele. Templo é dinheiro e pequenas igrejas grandes negócios…

# MUNDO

L.P.FAUSTINI

Sobre o mundo de Maretenebrae não tem muito que explicar. Hehe. Ele foi gerado de maneira completamente aleatória. Lógico que depois foi estudado, melhorado e adaptado. A princípio, por exemplo, tínhamos um reino completamente conhecido da ponta sul à ponta norte. Mas queríamos algo mais “romano”, quer dizer, tínhamos que ter as “terras bárbaras”, não catalogadas, não conquistadas. Daí decidimos ocultar a ponta norte e a ponta leste, separá-las através de um cinturão de montanhas e as chamar de Terras-de-Além-Escarpas.

R.M.PAVANI

Podemos começar pelo mais simples: os desenhos animados e os filmes vistos nas longas e proveitosas Sessões da Tarde, ou de Sábado ou o Cinema em Casa, dentre tantos outros momentos já há tempos extintos em nossa sociedade pós-moderna. Espada e Magia, Dragões e Cavaleiros. Contos das arábias, de piratas, mitologia greco-romana, o Japão dos xoguns e dos samurais. Até mesmo as fabulosas histórias de Sherlock Holmes. Tudo isso, é claro, sem se desligar dos romances históricos. Não poderia deixar de lado, igualmente, os livros infantis, infanto-juvenis e adultos que muito me ensinaram. Sempre me fascinaram as histórias do círculo arthuriano, os romances investigativos, a literatura clássica, romântica e moderna, epopéias, tragédias, enfim. Os jogos de RPG são outra grandessísima fonte de inspiração, sem os quais nenhuma frase de Maretenebrae conseguiria ter saído do papel. Tenho um grande fascínio pela fantasia medieval. Embora, ultimamente, tenha aprendido a apreciar o Mundo das Trevas, com Vampiro, a Máscara. Devo isso, sem dúvida, graças ao meu grande amigo, parceiro e irmão Ramón Giostri.

# SINTONIA

L.P.FAUSTINI

Originalmente a idéia foi minha antes de chamar o meu parceiro e amigo de pré-vestibular, o R.M.Pavani (a história tem raízes na virada do milênio, no ano 2000). Tomamos caminhos diferentes com o passar do tempo, ele se formou em História, fez mestrado na área e eu me tornei engenheiro mecânico. Ele toca piano blues, eu toco piano clássico, ele bebe, eu não bebo, ele é casado, eu solteiro, ele é acadêmico, eu sou industrial, ele lê Maquiavel, eu leio Dan Brown. Apesar disso, tínhamos um ponto convergente: adorávamos histórias fantásticas. E esse foi o bastante para nos unirmos, pegarmos minha idéia inicial e a elevarmos à décima potência. Então o projeto já não pode ser considerado meu, é nosso. Desde que começamos a escrever fazíamos nossas reuniões por Skype e foi assim até terminamos “A Queda de Sieghard”. O R.M.Pavani entrava com o bruto do texto, já que ele tinha facilidade literária, e eu apenas revisava e tentava tirar as partes enroladas (natural de um professor). Muitas vezes, eu escrevia um capítulo inteiro, ao meu modo, e R.M. vinha com sua erudição e completava meu texto de modo experiente. No capítulo da taverna, R.M. queria muito escrever sem minha participação, e eu aceitei sem problemas. Durante a elaboração dos últimos capítulos, a sintonia era tanta que já não era mais possível saber quem escreveu aquela ou outra parte. Éramos duas cabeças e um autor.

R.M.PAVANI

Foram nos ávidos anos do Ensino Médio que conheci uma certa pessoa. Pianista. De vocação e formação. Diferentemente de mim, que no máximo sou um admirador dedicado da arte de ouvir e tocar música de qualidade. Além dos talentos melódicos e harmônicos já explícitos, LP (era como nós o chamávamos) também admirava os temas fantásticos, com destaque para a literatura e para os Role Playing Games (RPG). Volta e meia, Luiz aparecia com uma história, que estava arquitetada previamente em sua cabeça, cujo enfoque era o Mar. Sempre ele. O título, inclusive, era uma coisa em latim. Interessante. Restava desenvolver o enredo. Anos depois, já formado, licenciado em história, e professor efetivado da Rede Pública Estadual de Ensino. Sala de aula. O telefone toca. O Eterno Retorno. Escrever um romance épico? A quatro mãos? Hoje, mais de dois anos depois desde aquela ligação afortunada, as ondas se chocaram com as pedras da praia muitas vezes. Reuniões pelo Skype à parte, consegui a muitas penas terminar o Mestrado. Casei-me. Consegui ser dono do meu próprio lar. Virei professor universitário. E eis que os sonhos retornaram. Um livro está publicado. Pronto para ser devorado pelos incontáveis seguidores da fantasia. E o mundo real? Devemos nos esquecer dele? É claro que não. Para todos os efeitos, nós pensamos aquilo que somos. Temos de nos limitar às condições materiais das quais somos as conseqüências visíveis. Em termos mais simples, só de sonhos e palavras bonitas não se vive. “Saco vazio não para em pé”, já dizia o tataravô de Napoleão. Sendo assim, por que não sonhar acordado e fazer do seu ofício o seu prazer? Por que não unir a necessidade de obter fundos monetários com o deleite que somente uma bela história nos traz?

SOBRE O LIVRO 

Bogdana, Sieghard, ano 476 após unificação – Uma desconhecida força invasora ataca a costa protegida pelos soldados da Ordem utilizando-se de navios nunca antes vistos. Imensos. Destruidores. Ao mesmo tempo, uma estranha peste se espalha pelas comarcas do reino, cegando e invalidando sua população. Em uma iniciativa desesperada, Sir Nikoláos de Askalor, o oficial responsável por defender a Ordem, abdica de todos os planos e estratagemas para investir de uma só vez contra os inimigos, sem saber que assim cairia na armadilha preparada por eles. Com suas fileiras dizimadas, o exército da Ordem recua e toma a direção do Domo do Rei para defender seu soberano, Marcus II, O Ousado, cuja vida representa a perpetuação dos valores ordeiros. Para um pequeno grupo, porém, composto por Roderick, Petrus, Chikara, Heimerich, Braun, Formiga e Victor Didacus – cada qual personificando um dos sete pecados capitais -, as sucessivas derrotas do reino são apenas o início da maior de todas as suas aventuras e desventuras. Diante deles, e de suas incontáveis diferenças, assombra-se um grande plano arquitetado por Destino. Serão eles capazes de enfrentá-Lo?

Não deixem de acompanhar o blog oficial do livro http://maretenebrae.blogspot.com.br onde os autores postam sempre informações complementares e novidades sobre o universo de Maretenebrae. Lá também você encontra todas as informações para comprar o livro,

Publicitário, estrategista de conteúdo, organizador do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira e coorganizador dos eventos Fantasticon e Sarau Fantástico.

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