A Criação – Episódio 5 – Christopher Kastensmidt

 Olá insones criativos ..

Está no ar o 5º episódio da série A Criação, posts que mostram os bastidores criativos das mentes de autores de literatura fantástica, roteiristas, quadrinistas e outros profissionais da cultura fantástica. E este episódio traz uma atração internacional, o autor Christopher Kastensmidt. Ok, ele já é meio abrasileirado, mora em Porto Alegre/RS já há algum tempo, mas não deixa de ser um convidado internacional.

Episódio 5 – Christopher Kastensmidt

Agradeço ao Tiago e ao Universo Insônia pela oportunidade de participar neste episódio de “A Criação”. Ando lendo todas as postagens e estou adorando. Dou aulas de criatividade e é sempre bom ouvir pessoas talentosas falando sobre seus processos.

Já publiquei dezenas de games, contos, artigos e poemas internacionalmente. Neste momento, estou criando roteiros para quadrinhos. Não é nada fácil trocar entre uma mídia e outra. Cada mídia exige anos de estudo para dominar suas técnicas narrativas. Existem oportunidades de aplicar algumas aprendizagens entre uma mídia e outra, mas em geral, tem que estudar cada mídia do zero.

Quem tenta escrever um romance sabendo apenas as técnicas de criação dos games vai produzir um desastre. Não obstante, vejo que a parte criativa é independente da mídia. Consigo aplicar o mesmo processo criativo para todas. Conheço muitas pessoas criativas, e cheguei à conclusão que o mais importante é ter um amplo conhecimento. Não adianta fazer a mesma rotina todos os dias e achar que ideias novas vão surgir. Os nossos cérebros são preguiçosos, eles adoram fazer a mesma coisa todos os dias e não ter que pensar em mais nada. Somos nós que temos que quebrar a rotina para forçar o cérebro a pensar além do clichê e fazer ligações inéditas. Por isso, tento sempre quebrar a rotina: experimentar comidas novas, procurar opiniões diferenciadas, visitar lugares fora do comum, escutar músicas de vários estilos. Além de quebrar a rotina e exercer o cérebro, estas experiências aumentam a “munição” que tenho à disposição na hora de sentar e escrever.

Por mais simples que parece, acredito que seja o principal. Quanto mais informação entra na minha cabeça, mais ideias eu tenho para colocar no papel. Porém, aviso que é uma faca de dois gumes. Quanto mais eu alimento a criatividade, mais as ideias começam a apertar o cérebro e eu tenho que encontrar uma maneira criativa de soltá-las. Senão, acho que eu ia enlouquecer.

Li em um artigo dias atrás que escritores são muito mais propensos a serem esquizofrênicos, bipolares, deprimidos e suicidar-se. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a maluquice pode ajudar a pessoa a ser mais criativo, mas acho que eles erraram causa e efeito: a pessoa criativa se torna mais apto a enlouquecer-se!

Como disse Mario Quintana em Simultaneidade:

– Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
– Você é louco?
– Não, sou poeta.

… … …

SOBRE O AUTOR

Dizem que quando Christopher Kastensmidt nasceu na cidade de Houston, Texas, as palavras do médico foram: “Houston, temos um problema!”

Christopher cresceu e estudou nos EUA, mas eventualmente encontrou seu lugar no Brasil.  Ele deixou um trabalho altamente remunerado de engenheiro na California para se juntar com uma empresa de videogames em Porto Alegre, na época sem faturamento.  A maioria das pessoas o achou maluco por aprontar uma coisa dessas, mas até hoje não existe prova definitiva de sua loucura.

Mas no final  tudo deu certo.  Ele trabalhou dez anos como sócio-diretor da empresa gaúcha de videogames Southlogic Studios, onde ele negociou dezenas de contratos com empresas estrangeiras e participou em projetos como diretor criativo, game designer, produtor, programador e outros cargos.  Ele criou o conceito original e fez o projeto de game design do jogo brasileiro mais vendido no exterior, Casamento dos Sonhos, com mais de um milhão de vendas.  No final, ele negociou a venda da Southlogic para a gigante multinacional de entretenimento Ubisoft Entertainment.  Ele trabalhou algum tempo como Coordenador de Estúdio e Diretor Criativo da Ubisoft Brasil, mas hoje em dia ele dá aula em três universidades e faz consultoria sobre criação de propriedades intelectuais e narrativas.

Ao longo desta jornada, ele conheceu sua linda gaúcha Fernanda e eles tiveram um guri que se chama Lynx.

Chris começou a inventar histórias antes mesmo de escrever, quando recebeu um gravador de fita cassete, mas só começou a publicar a sua ficção em 2005.

A série A Bandeira do Elefante e da Arara vem da sua paixão pela história e cultura brasileira.

A BANDEIRA DO ELEFANTE E DA ARARA

A série A Bandeira do Elefante e da Arara conta a história do aventureiro holandês  Gerard van Oost e do escravo africano Oludara, que juntam-se em terras do Brasil Colônia para formarem uma bandeira e desbravar o país em busca de aventuras. A série é extremamente rica em pesquisa histórica e traz toda a magia do folclore e lendas brasileiras para as aventuras da dupla.

O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara

“O Encontro Fortuito” conta a história de como Gerard van Oost e Oludara se conheceram em Salvador. É a primeira história da série A Bandeira do Elefante e da Arara e finalista do Prêmio Nebula. Esta noveleta foi publicada originalmente em abril de 2010 na revista norte-americana Realms of Fantasy. Ela foi publicada em português pela Devir no livro Duplo Fantasia Heroica.

A Batalha Temerária Contra o Capelobo

“A Batalha Temerária” acontece alguns meses após “O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara”.  Nesta nova noveleta, Gerard van Oost e Oludara descobrem que não estão tão bem preparados para enfrentar a selva brasileira e seus habitantes mágicos como acharam, e os dois decidam procurar ajuda.  Mas neste mundo mágico do século XVI, a ajuda pode custar caro.  Como diz o título, eles terão que enfrentar o Capelobo numa batalha épica, e precisam tanto da força cerebral quanto da força física para vencer.

A noveleta foi publicada em português pela Devir no livro Duplo Fantasia Heroica 2.

O Desconveniente Casamento de Oludara e Arani

A dupla de aventureiros Gerard van Oost e Oludara, um holandês e um africano, encontra lar numa aldeia dos tupinambás. Mas a vida está longe de ser tranquila, especialmente quando Oludara assume o desejo de se casar com a bela Arani – que está prometida a um dos mais poderosos seres das terras selvagens do Brasil Colônia. Uma vertiginosa aventura de momentos belos e divertidos, com muita magia e perigos incomuns.

Os livros da série podem ser adquiridos no site da Loja Devir.

MAIS SOBRE O AUTOR EM:

– http://ckastens.livejournal.com/tag/bibliographies (bibliografia)

– http://www.eamb.org/brasil

 

Publicitário, estrategista de conteúdo, organizador do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira e coorganizador dos eventos Fantasticon e Sarau Fantástico.

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