A Criação – Episódio 8 – Guilherme V.

Quando pensei em iniciar a série A Criação comecei a listar diversas pessoas que gostaria de convidar para participar, mas não aleatoriamente, ou por simples amizade, mas sim, nomes que pudessem contribuir de alguma maneira para os leitores do site, que pudessem trazer algo a mais do que simplesmente falar como criam suas histórias. E o primeiro nome que veio a minha mente foi Guilherme V. Infelizmente ainda não conheci esse “maluco” pessoalmente, mas foi esse cara que me apresentou um dos conceitos que mais atrai a minha atenção, estudos e esforços profissionais na atualidade, a Transmedia Storytelling. Então, fique com a mente criativa de Guilherme V.

Episódio 8 – Guilherme V.

Narrativa Transmídia

Na ficção, sempre fui impulsionado pelo desafio de explorar novas possibilidades narrativas. Foi isso que me levou à transmídia. Depois das minhas primeiras experiências publicando livros, me deparei com esse fenômeno que vinha ganhando força com a explosão das plataformas digitais. Não dá para negar que as novas mídias mudaram radicalmente a nossa maneira de consumir informação. E isso abre um mundo de possibilidades para a narrativa ficcional.

Processo de Criação

Edgar Allan Poe defende que o processo criativo começa com a escolha de um efeito a ser provocado no leitor. Na mosca. Para escrever uma história, é preciso tomar essa decisão primordial e ser fiel a ela a cada palavra. O mesmo vale para a criação de uma narrativa transmídia. Independentemente das mídias a serem usadas, tudo começa com o texto. A regra é simples: se ficar bom no papel, vai ficar bom em qualquer lugar. Não há superprodução que salve uma história ruim. Não há direção que salve um diálogo ruim. Já produzi ficção até para formato de celular e garanto: não adianta pensar em múltiplas plataformas se a história ainda não ganhou vida no papel.

Inspiração

Minha inspiração são minhas referências. Tenho uma biblioteca extremamente seletiva onde só guardo minhas influências mais fortes. Quando quero criar ficção, faço café e me tranco lá. Um exemplo bastante ilustrativo do que há nessa biblioteca é o áudio da transmissão de rádio de Guerra dos Mundos, produzida pelo Orson Welles. Aquela que causou um pânico generalizado nos Estados Unidos, onde as pessoas acreditaram que havia de fato um ataque interplanetário em andamento. Um exemplo perfeito do poder da combinação das histórias com as mídias.

Histórias

Histórias são simplesmente a forma mais poderosa de comunicar ideias, seja qual for a área de conhecimento. Organizamos as informações em forma de narrativa. Isso é algo básico e, no entanto, ainda incrivelmente subestimado. Tomando a área jurídica como exemplo, um dos meus livros favoritos continua sendo “O Caso dos Exploradores de Cavernas”, que trata do julgamento de um grupo de homens soterrados que se veem obrigados a sacrificar um colega para sobreviver. Trata-se de uma brilhante discussão sobre a ciência do Direito. Mas certamente é o poder da história que a torna tão marcante.

Sobre o autor

Guilherme atuou no mercado publicitário como diretor de criação em Porto Alegre e professor na Escola de Criação da ESPM-RS. Trabalhou com mídias digitais em Londres e Berlim, criou séries de ficção para as operadoras de telefonia móvel Claro e TIM e roteirizou projetos de narrativa transmídia para marcas como Santander Cultural. Ministrou palestras sobre transmedia storytelling em universidades como Unicamp, PUC-SP, PUC-RS e UFRGS. Estreou na literatura ainda adolescente publicando livros de ficção. É advogado formado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

Alguns trabalhos desta mente insana

A Barata de Toga

Reunião de alguns dos primeiros contos de Guilherme V. Publicado quando o autor tinha apenas 18 anos, o livro foi adotado em diversas escolas do Rio Grando do Sul devido à crueza com que trata conflitos típicos da juventude. Alguns contos com inspiração gótica já sinalizavam a inclinação do autor para o fantástico.

UísqueBar

Três adolescentes emocionalmente complexos vão a um cabaré no deprimente litoral gaúcho. Um dos últimos retratos da adolescência na era pré internet, UísqueBar é uma novela sobre caras virgens, garotas de programa e algumas doses de martini.

Rango e Charlote

Rango e Charlote foi escrita inicialmente como uma novela. Mas sob forte influência da propaganda, da fotografia e das novas mídias, transformou-se em uma série para formatos digitais. Com direito a produtos como ringtones e protetores de tela, foi lançada pelas operadoras Claro e TIM e tornou-se pioneira no mercado de downloads para telefonia móvel no Brasil. Nessa mistura explosiva de linguagens e mídias, Rango e Charlote conta a história de um casal que vive um relacionamento conturbado em uma cidade imaginária chamada Retro-Plágeo, onde cobaias humanas e paranoias alienígenas fazem parte da rotina.

O Novo Humano

Mistura de propaganda e narrativa ficcional, o Novo Humano é um conto de ficção científica transmídia escrito sob encomenda para o Prêmio Santander Cultural de Cinema. Através de arquivos de áudio e vídeo, microposts e conteúdos para celular, a história é narrada por uma máquina de origem enigmática que tem como passatempo “observar os padrões de comportamento humano” na internet. Com produção da Bmob.

Road Gore: O Nascimento da Morte

Road Gore é uma web série produzida sob encomenda para uma campanha de conscientização dos jovens no trânsito. Inspirado em filmes de terror trash, o projeto foi filmado na Estrada do Mar, uma das mais violentas rodovias do litoral gaúcho. Os quatro episódios no YouTube já somam 100 mil visualizações.

O Plugue

Concebido como uma espécie de estudo sobre a nova juventude na era digital, O Plugue conta a história de um adolescente que usa a internet para fugir do convívio social e jogar games ultraviolentos. No dia em que seu perfil virtual é deletado, ele destroi o computador e decide enfrentar o mundo real, desta vez conectado a uma outra máquina: uma furadeira elétrica.

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*Nota do editor: Só posso dizer que … Rango e Charlote EXPLODIU a minha cabeça!

Publicitário, estrategista de conteúdo, organizador do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira e coorganizador dos eventos Fantasticon e Sarau Fantástico.

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