Arcos de Campanha

Faz algum tempo eu percebi que é impossível investir o mesmo tempo que eu investia em jogos de RPG como antigamente. Por uma serie de motivos quanto mais passa o tempo durante os últimos anos menos tempo se tem para jogar, os compromissos dos “dinossauros” que jogam com meu grupo são os fatores limitantes nessa questão.

Se antes na adolescência o problema era dinheiro para comprar material de RPG, hoje o problema seria tempo, antes a gente tinha tempo de sobra e pouco material de jogo, hoje temos condição de adquirir qualquer material de jogo, só não temos tempo para desfrutar disso.

Por isso faz um tempo que eu preparo meus jogos na forma de Arcos de Campanha.

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Quanto tempo você tem?

A resposta dessa pergunta e essencial para determinar quanto o seu jogo deve durar. Já cansei de me deparar com mestres e narradores reclamarem por terem grandes épicos em forma de campanhas inacabadas por vários motivos diferentes. Normalmente o mestre nesse caso pensa nos jogos em forma de campanhas de longo prazo e depois de um tempo por vários motivos a campanha é arquivada e as vezes até esquecida. Sendo assim tenha em mente apenas uma coisa ao começar a planejar seu Arco de Campanha, quanto tempo você acredita que vai durar seu jogo?

Eu, por exemplo, planejo Arcos de Campanha que envolvam, em média, 10 sessões de jogo, o tempo suficiente para o jogo amadurecer, os jogadores conhecerem a mecânica de seus personagens e do sistema e descreverem com começo meio e fim o Arco de Campanha depois de concluído.

Qualidade

Vejam bem, como um jogo baseado em Arcos de Campanha é bem provável que seu jogo se torne mais interessante por uma série de motivos. Como se tem menos tempo e preciso de um esforço imediato de tornar os personagens dos jogadores completamente envolvidos com os eventos em torno da trama do jogo.

Coloquem os personagens em um lugar de destaque dentro do jogo, em situações que eles normalmente não estariam. Quanto mais foco o personagem do jogador tiver na história mais interessante será para os participantes, esse envolvimento deve ser desenvolvido desde a primeira sessão com os personagens em posições centrais na trama.

Vá direto ao que interessa

Essa é outra vantagem do Arco de Campanha, ele funciona como uma temporada de uma série de TV, por exemplo, só que sem a “enrolação”. Prepare o Arco de Campanha com o que realmente interessa. Acreditem, na maioria dos casos esse é o caminho mais curto para o que interessa e pode alterar a perspectiva dos jogadores em relação a campanha rapidamente.

Conclusão

http://quizilla.teennick.com/user_images/L/LadyAmber/1079106882_red_dragon.jpg Para terminar vou colocar aqui um exemplo simples de Arco de Campanha, com idéias superficiais justamente para se adequar a uma “mini campanha”. Um Arco de Campanha simples, envolvendo tesouros, exploração, combate e claro um perigoso dragão.

O objetivo desse arco é basicamente, enfrentar um inimigo poderoso, um dragão.

Sessão 1 – jogadores ficam sabendo que um dragão abençoado por Tiamat destruiu uma cidade estado do reino depois de um longo sono e agora exige tributos que são levados pelo dragão em uma ruína de um templo de Tiamat nos ermos. Rumores locais alegam que um culto a Tiamat foi destruído eras atrás, porém nobres e mercadores do reino secretamente veneram a divindade e formam uma sociedade secreta.
Missão – uma dama nobre, um clérigo e um militar (pdms do reino) enviam o grupo para escoltar um tesouro em forma de tributo até as ruínas do templo de Tiamat ao dragão, no caminho eles podem ser emboscados por saqueadores.

Sessão 2 – o grupo se depara com o dragão e percebem que a criatura está ferida (pois ela destruiu recentemente uma cidade) e podem tentar dar um fim na criatura ali mesmo. Aqui um combate pode se estender e o grupo não vencerá a criatura (que pode fugir se for mortalmente ferida, mas o ideal seria a criatura mesmo ferida ser um oponente extremamente poderoso causando a derrota do grupo). O dragão ferido, foge e o grupo vencido começa a retornar com o tesouro. No caminho de volta um grupo de assassinos contratados pelo culto secreto de Tiamat tenta roubar o tesouro.

Sessão 3 – o grupo retorna (com ou sem o tesouro) até a cidade e descobre que uma guerra civil está prestes a começar no reino. Nobres e mercadores estão divididos entre continuar pagando tributos ao dragão, e conflitos e escaramuças entre casas nobres e guildas de mercadores estão ficando cada vez mais freqüentes. Agora o grupo recebe outra missão dos pdms.
Missão – partir para cidade estado vizinha e convencer um lorde a enviar tropas para evitar a guerra civil na cidade dos personagens.

Porém ao chegar na cidade o grupo e surpreendido, a cidade está em ruínas. E o grupo avista o dragão partindo, aqui eles percebem o erro que cometeram ao enfrentar o dragão, que vingativamente devastou mais uma cidade. Antes de encontrar o lorde o grupo deve sobreviver a um assalto de um bando de goblinoides e gigantes que espreitam os sobreviventes e qualquer coisa de valor na cidade destruída.

http://static.desktopnexus.com/thumbnails/25504-bigthumbnail.jpgSessão 4 – depois de proteger os sobreviventes o grupo descobre que o lorde recuou com tropas e sobreviventes em uma fortaleza nas montanhas junto com um valioso tesouro, ocultando o mesmo do dragão. Durante a jornada o grupo pode ser atacado por alguma criatura nativa que o narrador queira usar no arco de campanha. Ao chegar na fortaleza o lorde revela que existe um traidor no governo da cidade vizinha (a dama nobre, o clérigo ou o militar) e que ele tem ajuda do culto de Tiamat e fomenta a guerra civil, mas infelizmente ele não sabe quem é o traidor. Mas pode ajudar o grupo de uma forma.
Missão – o grupo é enviado a uma masmorra onde uma antiga ordem de caçadores de dragão esconderam poderosas armas mágicas para matar dragões, a masmorra é um forte abandonado, assombrado por mortos vivos.

Sessão 5 – depois de conseguirem as armas mágicas e vencerem os mortos vivos o grupo volta para fortaleza do lorde, que recebeu uma mensagem para voltar a cidade do grupo. No caminho as tropas são emboscadas por outra tropa liderada por um dos 3 pdms (o traidor escolhido pelo mestre). O destino da guerra está nas mãos do grupo, que se vencer evita o saque do inimigo ou com a derrota pode dar mais poder ao culto de Tiamat.

Sessão 6 – o grupo volta para cidade original (como vitoriosos ou como sobreviventes fugitivos).
*Vitoriosos – o grupo encontra os outros 2 pdms e a cidade começa a se preparar para ser fortificada, combatentes e aventureiros são contratados para proteger a cidade. Missão – o grupo e enviado ao subterrâneo da cidade onde rumores indicam que o culto se reúne para planejar a guerra civil.
*Sobreviventes Fugitivos – o grupo chega em uma cidade ocupada por militares escolhidos pelo culto de Tiamat, construções ainda ardem em chamas enquanto a guerra civil assola a cidade, um grande tesouro está sendo reunido para ser entregue como tributo ao dragão. Missão – o grupo deve localizar nas masmorras locais os 2 pdms que podem ajudá-los a iniciar uma rebelião.

Sessão 7 – o grupo pode ter caçado e destruído um culto a Tiamat local ou ter reunido um grupo rebelde para recuperar o controle da cidade. Em ambos os casos o grupo deve descobrir onde á a localização do refúgio do dragão, para tal eles podem ser enviados a um pdm ou podem ir até um sábio local ou podem ter descoberto um pista entre os cultistas mortos.
Missão – grupo viaja até a torre de um mago renegado protegido por armadilhas e por um grupo de servos gárgulas, aparentemente o mago serve ao culto de Tiamat e seus manuscritos revelaram a localização do covil.

Sessão 8 – com a derrota do mago o grupo descobre em sua torre que todo tesouro coletado pelo dragão será usado em um grande ritual em cemitério de dragões no alto de uma montanha gélida, além da localização do covil, mas a ameaça da conclusão do ritual de Tiamat é mais urgente. O ritual irá temporariamente animar os dragões mortos vivos para assolar todo reino com a benção de Tiamat.
Missão – o grupo viaja para o alto de uma perigosa montanha gélida e depois de superar o desafio de chegar a esse local mortífero eles enfrentam os cultistas e servos dracônicos evitando a conclusão do ritual.

Sessão 9 – o grupo viaja através de um perigoso deserto na fronteira do reino, em seu interior fica as montanhas onde se esconde o dragão. No caminho eles encontram mais uma cidade sendo atacada por servos da criatura (monstros escravizados em busca de tesouros e sacrifícios fáceis para seu mestre dragão).

Depois do combate o grupo descobre que a princesa dessa cidade foi levada pela criatura e os sacerdotes do deus da guerra local culpam a cidade do reino além da fronteira (cidade do grupo) de provocarem a ira do dragão por não pagarem devidamente o tributo ao dragão, e se o grupo não recuperar a princesa, essa cidade irá partir para guerra contra a cidade dos personagens. No caminho em meio ao deserto o grupo faz uma jornada perigosa, onde podem ser emboscados novamente por alguma criatura ou monstros que o mestre deseja colocar para testar o grupo.

Sessão 10 – o grupo chega a uma perigosa montanha repleta de desafios, e um covil que pode ser protegido por alguns guardiões monstruosos e armadilhas. Por fim nessa sessão acontece o encontro decisivo contra o dragão. E aqui o mestre pode colocar uma “semente” para outro arco, o que aconteceria se mesmo o grupo vencendo o dragão em uma batalha terrível eles se deparassem com a princesa morta? E se a princesa fosse na verdade uma sacerdotisa de Tiamat e enfrentasse o grupo?

Em qualquer alternativa ela estaria morta, e a cidade fronteiriça do deserto sabendo da morte dela iria se preparar para uma nova guerra, contra a cidade dos personagens e isso seria um gancho para um Arco de Campanha no futuro.

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http://universoinsonia.com.br/img_in/ulisses_m.jpgUlisses Gomes do Prado é um mero mortal com nome de herói, formado em Publicidade e Propaganda, narrador veterano de D&D e World of Darkness, hardgamer de PS3 e “Marvelmaníaco”. Gosta de criar roteiros fantásticos, cinema, animações, boa comida e de literatura fantástica, seus autores favoritos são Tolkien, Cornwell e R.A.Salvatore.

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Ulisses Gomes do Prado e um mero mortal com nome de herói, formado em Publicidade e Propaganda, narrador veterano de D&D e World of Darkness, hardgamer de PS3 e “Marvelmaníaco”. Gosta de criar roteiros fantásticos, cinema, animações, boa comida e de literatura fantástica, seus autores favoritos são Tolkien, Cornwell e R.A.Salvatore.

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