Cyber Brasiliana (Richard Diegues)

Cyber Brasiliana

Este é o primeiro romance na área de ficção-científica de Richard Diegues, um dos escritores mais prolíficos da Literatura Fantástica Brasileira. Nele o leitor se depara com uma Realidade Alternativa, que se desenvolve em um universo Pós-cyber, no qual os países do eixo-norte do globo se encontram em decadência, confrontados pelas três grandes potências surgidas no eixo-sul: a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova. A qualidade de vida abaixo da linha do equador assume ares de utopia, enquanto no outro hemisfério as corporações lutam pelo controle dos espólios dos antigos países. Nesse cenário, em que uma parte da economia mundial está visivelmente instável, o equilíbrio é mantido por meio da força, de uma consistente e bem defendida base econômica, e da tecnologia que avançou a passos largos até se tornar fundamental à vida.

Foi nesse contexto que o Hipermundo se desenvolveu. Um sistema baseado em uma super-rede de servidores, no qual as pessoas desfrutam de uma forma complexa de realidade aumentada, utilizando-a para trabalho, socialização, cultura e registro digital de todas as informações mundiais.

Parte do enredo dá suporte para uma ação vertiginosa que se desenrola enfatizando os dramas dos personagens, enquanto a outra se aprofunda nas questões desencadeadas pelo cenário social, levantando questões como: a tecnologia poderia afastar realmente o homem do rumo espiritual para o tecnológico? Até que ponto desejamos nos afastar do convívio pessoal e transpor esse contato para a virtualidade? Do que seríamos capazes de abrir mão em troca da imortalidade? O modo de vida que desfrutamos hoje é algo definitivo ou apenas um conceito a que nos atemos?

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Prefácio da Obra, pelo Prof. Dr. Heraldo Assis Barber

Enquanto a maioria absoluta dos romances cyberpunks, segundo meu ver, exploram ambientes decadentes, o Cyber Brasiliana se inicia justamente com a apresentação de um Brasil que seria utópico para a grande maioria, com uma São Paulo livre da poluição e do famigerado caos urbano próprio dos grandes centros. O Hipermundo – uma megarrede virtual de realidade aumentada, como o autor a descreve – leva as pessoas a se manterem cada vez mais em suas casas – unidades habitacionais –, ao menos fisicamente, pois suas mentes ganharam a portabilidade que a modernidade tanto se apressa em alcançar nos dias atuais. Uma miríade de avanços tecnológicos – muitos deles reais hoje, outros bem plausíveis para daqui a poucos anos – são apresentados por Richard Diegues, que é um profundo conhecedor dos computadores e equipamentos relacionados a eles – periféricos, é a palavra que encontrei. Uma união de fatores que remetem o – nosso – modo de vida cada vez mais no rumo do pós-humano, no qual a tecnologia é venerada em detrimento da religião, levando as interações humanas cada vez mais para o arrasto das máquinas. E não somente os homens, mas também os próprios deuses e santos se convertem para a binariedade, nesse caldo em que as mitologias hinduísta, católica, mulçumana e taoísta se unem de formas completamente plenas de extrapolação religiosa.

Os personagens principais poderiam ser apresentados como um militar-desertor-pistoleiro, um mulçumano-foragido-biocientista, uma programadora-chinesa-grávida e uma agente-motociclista-encrenqueira. Isso, se não fossem todos eles talhados com conflitos internos, em uma sucessão de perguntas-respostas em pequenos detalhes que são espargidos durante a história, dando a cada um profundidade suficiente para fugirem pela ribalta dos clichês – comuns, e até certo ponto obrigatórios – do gênero.

O fato da trama se passar quase toda no universo virtual, ao contrário das obras que já conheci antes, é uma magnífica cartada. E isso não torna a trama cansativa, pois nos abstraímos do fato conforme caminhamos pelas páginas, uma vez que Diegues não se deixa deslizar pela gafe da verborragia tecnológica comum nesse tipo de narrativa, em sua maioria criada pelos autores para sustentar o ambiente que criaram de forma paupérrima. Assim como ocorre com os personagens, nós como leitores, mergulhamos de maneira natural no Hipermundo e nos conectamos – ou plugamos – com a narrativa ágil. Narrativa esta que é outro forte na obra, pois o autor nos brinda com um esmero claro nas frases e escolha de palavras, como um ourives que encrava pedras delicadas em uma aliança. Referências implícitas e ocultas nas entrelinhas, a escolha das terminologias hoje comumente usadas em língua inglesa que passam a ser usadas nas línguas dominantes – português e espanhol – do período do enredo, nada de frases feitas e linguagem simplória utilizadas fora de contexto. Enfim, alta literatura em uma novela de grande velocidade, nitidamente feita para entreter, mantendo o leitor pregado nas páginas a cada reviravolta, do início até o final da história.

É uma obra de ficção, mas que certamente irá figurar entre o panteão daqueles livros que marcam uma passagem evolutiva dentro de determinados gêneros da literatura que não podem ser classificados dentro de subgêneros específicos. A recebi para leitura como sendo “um romance cyberpunk”, porém, diante dos elementos e variedade de inovações que encontrei nela – comparando ao que foi feito antes, por outros autores – eu a classificaria, com parcimônia, é claro, como “um romance pós-cyber”.

Em poucos anos acabei por conhecer muitas obras de Diegues, um autor prolífico – multimídia até – em todos os sentidos, e ao realizar a leitura de Cyber Brasiliana, definitivamente senti que algo que nunca irá marcá-lo é o rótulo de “escritor de um só gênero”. Mas, intimamente, apreciaria muito que seguisse com outras obras dentro deste cenário fantástico que desenvolveu, como tenho certo que você, leitor, sentirá o mesmo após virar a última página deste livro.

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O PROF. DR. HERALDO ASSIS BARBER, 87 anos, atua como consultor e ghost-writer para as maiores editoras do planeta, tendo preparado mais de 110 originais, vários deles best sellers. É mestre em Teoria Literária, doutor em Literatura Brasileira e em Literatura Norte-Americana, além de Ph.D em Literatura Inglesa. Possui oito pseudônimos sob os quais trabalha.

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# Leia em trecho da obra [clique aqui]

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Dados Técnicos:

Autoria: Richard Diegues
ISBN: 978-85-61541-16-3
Páginas: 254
Formato: 14×21cm
Ano: 2010

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O Autor

Richard Diegues é escritor, editor e consultor tecnológico. Atualmente mora na cidade de São Paulo. Autor dos livros: Magia – Tomo I (1997), Sob a Luz do Abajur (2007) e Tempos de AlgóriA (2010). Também é organizador e coautor dos livros Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Visões de São Paulo (2006), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Histórias do Tarô (2007), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2007), de quatro volumes da Coleção Paradigmas (2009/2010), além de co-autor dos livros Portal Fundação (2009), Livro Vermelho dos Vampiros (2009), Imaginários 1 (2009) e Cyberpunk – Histórias de Um Futuro Extraordinário (2010). Colaborou com diversos jornais, revistas e sites da Internet, além de participar ativamente de eventos na área de Literatura Fantástica.

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via Tarja Editorial

Publicitário, estrategista de conteúdo, organizador do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira e coorganizador dos eventos Fantasticon e Sarau Fantástico.

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