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jan
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Muitas opções de eBooks na Livraria Cultura … e daí?

Olá insones,

Hoje recebi diversas indicações no twitter e no facebook sobre a venda de eBooks no site da Livraria Cultura, incluindo títulos de grande sucesso da literatura fantástica nacional. Ao entrar no site, curioso para saber o que poderia encontrar por lá, fiquei muito, mas muito decepcionado quando comecei a analisar os preços.

Uma das grandes discussões na internet atualmente é sobre livros impressos X livros digitais, onde muita gente acredita que os tradicionais livros de papel irão morrer com a era digital, que os livros digitais não serão bem aceitos pelos mais conservadores, etc, etc, etc. O fato é, com a chegada dos tablets e eReaders ao mercado, existe uma grande oportunidade para autores e editores alcançarem ainda mais público, vender suas obras digitais a preços menores para atingir um maior número de pessoas, talvez até uma fatia do mercado que acha um absurdo pagar caro por um livro (sim, a maioria dos livros ainda são muito caros no Brasil). Existe público para as duas opções.

Porém, uma livraria do porte e prestígio da Cultura, parece não entender muito bem como funciona a era digital, ou então, parece não “querer” entender com funciona essa nova mídia.

Vejamos alguns exemplos:

- A Batalha do Apocalipse, best selller do autor Eduardo Spohr. Na livraria digital da Cultura ele custa R$ 28,00. Já no site da Saraiva, você encontra o livro impresso (em um belo trabalho gráfico da editora Record) por R$ 28,40. Olha só, com apenas 0,40 a mais você compra o livro impresso.

- Curtas Extraordinários – Como filmar e compartilhar seus curtas na Internet, do autor Russell Evans. Pela livraria Cultura, o eBook sai por R$ 79,90, isso mesmo SETENTA E NOVE REAIS E NOVENTA CENTAVOS. Enquanto em uma rápida pesquisa, achei o livro impresso por R$ 63,90 no Submarino.

Fuçando um pouco mais vi alguns outros livros por preços ainda mais altos, um deles chegando até os R$ 99,00.

Vamos parar e pensar um pouco.

Para produzir e disponibilizar um eBook, eles não gastam com impressão e papel, não gastam com logística, não gastam com estoque, não existe o frete embutido, não tem distribuição … e mesmo assim, um livro impresso, com todos esses gastos atrelados, consegue ser mais barato que um livro digital. O que tem nessa edição de A Batalha do Apocalipse para custar o mesmo preço de um livro impresso? Extras? Desenhos dos personagens? Comentários do autor e 100 páginas a mais de conteúdo? Mesmo que tivesse tudo isso, ainda é um eBook, um livro digital feito para ser baixado na internet e lido em um equipamento que você já gastou R$ 300,00 .. R$ 500,00 ou mais de R$ 1.000,00 para ter.

A única explicação que encontrei foi o boicote. Sim, a Livraria Cultura, ou outras pessoas/entidades, afim de “preservar a vida” de seus livros impressos, resolveram boicotar a venda de livros digitais, colocar preços abusivos apenas para dizerem “sim, nós temos livros digitais, sim, nós estamos na era digital”, mas sem a real pretensão de vendê-los.

É essa a estratégia de vocês para combaterem a pirataria? É assim que vocês pretendem acabar com o download ilegal? Se a resposta é sim, desculpe, mas vocês falharam miseravelmente.

E aí, o que vocês acham? Autores, editores, livreiros .. qual a opinião de vocês?

Comentem.

… … …

http://a1.twimg.com/profile_images/437119069/foto_tiago_reasonably_small.jpg Tiago Castro é publicitário, agitador cultural, aspirante a escritor de literatura fantástica, o criador do Universo Insônia e com ideias elevadas à potência máxima!
No twitter @castrinho

 

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4 comentários

  1. Simone Mateus disse:

    Oi Tiago,

    A Giz Editorial adota a seguinte postura: o livro digital (e-book) é sempre 30% mais barato que a versão impressa.

    A livraria está vendendo o livro A Batalha do Apocalipse com um bom desconto, mas o valor real do livro é R$ 39,90 e não R$ 28,40. Se esse livro na versão eletrônica sai por R$ 28,00 e a livraria der o mesmo desconto sobre o valor, ele poderia sair por R$ 20,00 – considerando a mesma logica da versão impressa.

    Cada livraria tem a sua política, mas as editoras vendem os livros impressos por um valor fixo e em cima desse valor a livraria oferece descontos, o mesmo vale para versão eletrônica.

    Os custos de diagramação, de revisão, de conteúdo e visual, é também de direito autoral, continuam os mesmos. Fora o percentual da livraria e toda a divulgação necessário para obra.

    No panorama atual do mercado esse é o preço possível, mas é claro que isso deve mudar ao longo do caminho, o preço do livro eletrônico tende a baixar, é tudo muito novo ainda, o mercado está em fase de adaptação.

    Abraços,
    Simone Mateus
    Giz Editorial

  2. Camilla Ferreira disse:

    Talvez não seja uma simples questão de boicote – até por que a Cultura só tem a ganhar, integrando-se no mercado de eBooks. Ou talvez seja, vá saber.
    Mas eu acho que está mais para um “falso entendimento” da era digital e da atual situação do mercado de livros. Uma espécie de “Pronto, está lá. Agora nos parabenize, nós vendemos eBooks.”, sem realmente dar atenção à importância de estar vendendo-os.

  3. Tiago Castro disse:

    Olá Camila,

    Acredito que realmente seja isso mesmo, ainda falta um pouco de entendimento sobre o mercado e como praticar os preços. Vamos acompanhar a evolução disso. :)
    Obrigado pelo comentário.

    Abs

  4. Tiago Castro disse:

    Olá Simone,

    Obrigado pelos comentários no blog.

    Após uma conversa via twitter com o Walter Tierno e a Giulia Moon, entendi um pouco mais sobre os custos envolvidos. Mesmo assim, ainda acho que os ebooks poderiam ter um valor mais baixo.

    Quando falo de valores mais baixos para ebook, não estou querendo dizer 2,00 ou 3,00, mas um custo mais acessível do que a versão impressa, para gerar mais oportunidades e conquistas novos leitores. Acredite, o preço dos livros no Brasil ainda é uma grande barreira para muita gente, principalmente adolescentes que preferem gastar 30,00 ou 40,00 para sair com os amigos do que usá-los em um livro. Acho que o ebook com um preço mais acessível poderia quebrar um pouco essa barreira.

    Gosto da postura da Giz sobre os 30% de desconto, já é um atrativo para quem não quer gastar 39,90 nos livros da Giulia, que não se enquadram na mesma situação do Eduardo Spohr, que tem seus livros quase sempre com descontos em várias livrarias. Assim como o André Vianco também. Os livros dele sempre estão em promoção em várias livrarias tanto físicas quanto virtuais e não seria interessante ter ebooks por preços elevados.

    É um mercado ainda novo por aqui, vamos acompanhar e ver como isso vai evoluir.

    Abs

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