Wednesday, November 20, 2019


FOME (Tibor Moricz)

Sempre imaginamos como será o futuro, para onde a tecnologia e as atitudes dos seres humanos vão nos levar e…

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By Castrinho , in Impressões , at 5 de dezembro de 2009

Sempre imaginamos como será o futuro, para onde a tecnologia e as atitudes dos seres humanos vão nos levar e principalmente, como estará o mundo quando nossos netos, bisnetos e tataranetos estiverem vivendo nele …

… Tibor Moricz nos dá respostas realmente perturbadoras em apenas quinze contos … contos que levam o leitor a sentimentos que vão do desespero ao nojo, passando pela curiosidade de como e para onde aquelas palavras vão nos levar.

FOME é um livro perturbador, muito perturbador. Em suas páginas não existe um amanhã, o futuro é incerto, se é que ele existe também. Virando as páginas de FOME descobrimos que os personagens não tem nome e não sabemos em qual cidade ou país os contos são ambientados. O nome de cada conto já remete ao personagem principal, como O Messias ou O Erudito.

Os contos são interligados, girando em torno do mesmo tema, fazendo o leitor esperar pelo final para saber onde FOME vai terminar.

Logo no primeiro conto, O Caçador, Tibor nos dá o gostinho da aventura de um homem em busca de seu alimento … o próprio homem. Sim, em FOME não existe comida, o que mantem a caça e o caçador vivos são os próprios seres humanos e o canibalismo anda de mãos dadas com as incertezas sobre o futuro.

A sequência de contos se dá com O Demente que em uma jogada de sorte consegue o tão esperado alimento e resolve dividí-lo com sua mãe.

Em outro conto, O Erudito, Tibor Moricz nos mostra quem nem só de canibais é feito FOME. Fazendo referências a Willian Shakespeare e ao livro Admirável Mundo Novo, O Erudito literalmente devora os livros.

O livro segue com O Renitente, que se alimenta de insetos, baratas e lagartixas, O Perseguido, que ao contrário do primeiro conto (não tão ao contrário assim) é a caça da vez, O Pregador, no qual suas palavras conseguem prender a atenção até mesmo de uma matilha de caçadores, O Obsessivo, que conta e espera, conta e espera, conta e espera e A Sedutora, a única personagem que talvez chegou próximo de ter um nome, “querida”.

O conto mais perturbador do livro, provavelmente seja O Prisioneiro. Além de viver uma época pós apocaliptica, as personagens desse conto vivem sem saber o que acontecerá nos próximos minutos, apenas imaginando qual será o próximo do abatedouro …

O Infecto é outro conto que proporciona algo próximo ao nojo. As pessoas infectas não servem como alimento e ainda vivem a margem da “sociedade”. Em um mundo onde não existe mais nada, nem o mundo praticamente, ser um excluído é ainda pior do que ser a caça.

Em O Observador, Tibor descreve um caçador ainda mais ousado, que busca sua presa em meio a um pequeno grupo, arriscando a própria vida em um misto de fome pela presa e desejo de aventura.

O Primogênito é outro conto que mostra uma caçada e novamente faz referência a uma pequena crença existente em algumas páginas do livro.

Logo em seguida temos O Crédulo, preparando o terreno para chegada do escolhido. Em A Matilha, o autor descreve uma briga interna entre dois membros de uma matilha e logo depois o encontro dessa matilha com outra, enquanto buscavam uma presa.

E para finalizar, O Messias fecha o livro com chave de ouro.

FOME é polêmico, é perturbador e repugnate em certos momentos … FOME é … FANTÁSTICO !!!

… … …

por Tiago Castro
contato@tiagocastro.com.br

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