Vencedor da promoção Dragon Age

Olá insones,

Após muitos textos recebidos para a promoção Dragon Age, chegamos a um vencedor.
Primeiramente pedimos desculpas pelo atraso na divulgação do resultado, que era para ter sido postado ontem (09 de fevereiro). Devido alguns problemas de trabalho não conseguimos analisar todos os textos ontem.

http://universoinsonia.com.br/img_in/da_g.jpg

###

O texto vencedor:

“Em uma taberna ao norte do vilarejo, se encontrava um homem caucasiano que trazia na pele a marca de inúmeras batalhas, marcas estas iluminadas apenas pelo luar que atravessava a janela de vitrais da taberna. Preso ao seu cinto, pequenos suvenirs, lembranças das andanças ao longo dos anos que vagou pelo reino de Felderen.

Enquanto bebia, o que seria seu último gole daquela noite, percebeu ao fundo uma agitação incomum pelo avançado da hora. Como hábil caçador, aguçou a audição e logo identificou do que se tratava a conversa. Alguns homens do próprio vilarejo agitavam-se como que se brindassem algo importantíssimo. E não deixava de ser verdade, estava se espalhando o rumor que o feiticeiro Walmin Gull e a sua Escória dos Amaldiçoados, haviam sido derrotados em batalha dentro da sua própria fortaleza pela Ordem dos Cavaleiros Margorynn.

Este feiticeiro era conhecido pelas suas constantes investidas ao reino, sua tirania, infâmia e perversidade eram de fato uma constante. Digamos que era um espinho na carne dos habitantes, além do mais que a sua Escória dos Amaldiçoados não levava este nome à toa. Eram seres repulsivos, insaciáveis e obstinados a um propósito, sangue e sofrimento. Realmente, eles eram cruéis e sabiam que não havia perdão para falhas, ou cumpriam seu objetivo, ou morriam tentando. O tal mago ainda possuía o estranho habito de “colecionar” espécimes humanos obtidos em suas pilhagens, para aperfeiçoar sua magia. Há quem diga, que é a partir daí que surgiu a sua Escória particular.

Em um primeiro momento, esta notícia não o influenciava diretamente, ouvira falar muito do tal feiticeiro, mas nunca cruzou o seu caminho. O homem se levantou e foi se recolher aos estábulos, pois o burburinho aumentava constantemente e ao sair para a rua notou os lampejos dos fogos em todo o vale, realmente a figura do feiticeiro o inquietou, pois muitas eram as lendas que ouvira durante as suas andanças.

Naquela noite, algo lhe surrupiou o sono. Subitamente, dentre as inúmeras lendas, uma fixou a sua mente. Sempre ouviu falar da grande riqueza que escondia o feiticeiro Walmin Gull, afinal nômades errantes, mercenários, ladrões, necromantes e até mesmo orcs que o procuravam, sempre barganhavam para ter algo em troca, normalmente ouro, prata, jóias ou artefatos místicos. A exceção dos trolls que eram facilmente sub julgados.

Se algo o deixou inquieto, com certeza foram as riquezas deixadas para traz. Efetivamente, havia algo na fortaleza e que o deixava ainda mais curioso já que a Ordem dos Cavaleiros Margorynn era milenar, dizia ser mais antiga até que o próprio tempo. E um fato a ser levando em conta, pilhagens ou despojos de guerra não fazia parte do dogma da Ordem. A idéia de um possível despojo de guerra ao leu, realmente o incomodou. Astuto, montou em seu cavalo e partiu ainda naquela noite para o local da fortaleza do mago. Seu mapa era seu aguçado instinto, e a grande coluna de fumaça que se levantava a noroeste. Este sinal somente era visível graças a protuberante lua cheia que advinha do céu, e demonstrava que grande fora a batalha naquele local. A medida que ia se aproximando, percebeu que o odor de carne queimada misturada a decomposição lhe mostrava que estava chegando ao local.

Ao chegar ao local, via grande fumaça saindo das aberturas da fortaleza encravada na terra. Não houve dificuldades em traspassar os portais da fortaleza, os corpos tombados ao longo do caminho indicavam que não havia sobreviventes.

Seguindo o rastro dos corpos, foi se guiando pela escuridão já que a media que os corpos mais bem armados iam aparecendo indicavam o caminho para o local onde o mago se escondia e que havia se tornado seu túmulo. Grunhidos ao fundo, já indicavam que havia cometido o equívoco de pressupor que não estava só. Contudo, focado na ganância pelas riquezas que o aguardavam ignorou seus instintos e continuou a se aprofundar na fortaleza. Subitamente, chegou a um salão imenso e bem iluminado, diferente do resto que caminho que percorrera. Ornado com colunas e estátuas, trazia nestes as marcas da feroz batalha, marcas de aço, fogo… sentia o odor de magia no ar. Ao fundo um trono onde jazia um corpo sobre ele. Não conseguia definir que era, mas ao se aproximar vi que só poderia se tratar dele, Walmin Gull, com uma espada cravada em seu peito, um líquido negro, viscoso escorria pela espada.

Realmente, o terrível mago pereceu, provavelmente em sua própria arrogância. Mas nada mais restava no local, nada de ouro, adornos ou algo de valor em uma rápida olhada. Pensou que deveria iniciar a busca por uma câmara secreta onde poderiam estar as tais riquezas. Mas subitamente, algo com um brilho vermelho surgiu da mão esquerda do mago, era um anel no dedo mínimo que pulsava como se fosse um coração.

Rapidamente, o cavaleiro puxou uma pequena tenaz e retirou o anel sem dificuldades. Era um artefato interessante, uma jóia muito bem lapidada, e muito pesada, devia ser de ouro puro e a jóia era encravada no anel, como se ambos fossem uma peça só. Contudo, ao retirar o anel, o corpo sem vida do mago, colocou o anel no dedo e por instantes contemplou o que seria o início de uma grande fortuna. Mas percebeu que o corpo do mago começou a se deteriorar até que sobrasse somente a espada encravada no trono. O corpo todo apodreceu, deixando somente um esqueleto. Uma nova luz vermelha surgiu da ala leste do salão, emitindo um som de uma porta que a tempos não se abria. Ao investigar, observou que outro salão surgira entre duas estátuas e o brilho não era mais vermelho e sim dourado. Por um golpe de sorte, encontrara a sala dos tesouros do mago. Novamente, ignorando seus instintos, adentrou no salão. Mas, somente consegui dar dois passos até que subitamente um vento forte o arrastou para fora do salão, a porta se fechou e uma nuvem esverdeada o encobriu como se o fosse sufocar. Por fim caiu de joelhos e tombou, ao fundo viu um esqueleto em pé, carregando uma espada quebrada e emitindo um ruído que se assemelhava a uma risada. Não conseguia entender o que estava acontecendo, não sabia distinguir se estava delirando ou o que lhe havia atingido, somente via aquele esqueleto balbuciando palavras que não entendia. Subitamente, uma voz lhe veio a mente e esta voz condizia com os gestos que o esqueleto fazia. A nuvem esverdeada se dissipou, e com dificuldade se ergueu e tomou condição de combate puxando da espada que trazia ao cinto. Contudo, a voz em sua cabeça ressoava com um sino, e rasgava-lhe as entranhas como unhas afiadas, a dor era quase que insuportável. Das palavras proferidas, as únicas que foram entendíveis eram: tolo, apodreceras dentro destas ruínas… e por fim o esqueleto fez um gesto e a voz pronunciou – putrefactum. Nisso o cavaleiro caiu de joelhos, e desfaleceu.

Passados algumas horas, ou dias, pois a noção do tempo havia se perdido. O cavaleiro se encontrou sentado no trono do mago, um silêncio macabro envolvia o lugar. Não entendia o que havia ocorrido, pensou que poderia ter sido um sonho. Mas, a marca da espada que estava encravada no trono e o anel no dedo mínimo diziam o contrário. Ao olhar melhor para suas mãos percebeu algo errado, em alguns dedos faltavam as pontas, e as unhas estavam escuras, um odor de carne em decomposição exalava das suas roupas.

O pesadelo estava só começando, a magia lançada no cavaleiro era a mais cruel do feiticeiro Walmin Gul. Pelo visto o mago não teve tempo de utilizá-la nos cavaleiros que o enfrentaram em batalha. A magia causa a lenta decomposição do corpo humano, com a pessoa ainda viva. Primeiro a pele, depois órgãos, músculos, nervos… é tão cruel que faz com que a pessoa sobreviva e veja seus membros se desligarem do corpo a medida que os ligamentos são consumidos, vermes brotarem da pele, animais como chacais ou abutres atacarem sobre sua carne atraídos pelos odores fétidos da carne em decomposição. Os olhos secam, permitindo apenas que seja gerada uma imagem disforme e sem cor e a alma do enfeitiçado fica presa no aos osso, para tormento eterno.

Sua única chance de sobreviver é embrenhar-se na fortaleza a procura da única coisa que pode reverter o processo, o Urkrinot. O Urkrinot é um elixir elaborado a partir do sangue de dois dragões milenares, extraídos durante o processo de decomposição das bestas-fera. Ele tem o poder de anular qualquer magia ou recuperar guerreiros de ferimentos mortais. O elixir deverá ser preparado, em um único frasco e utilizado logo em seguida, sozinho os compostos não têm efeito algum, mas quando misturados liberam uma grande energia.

Os compostos estão escondidos em duas câmaras secretas, em algum lugar da fortaleza. Seu objetivo é encontrá-lo, sua meta é sobreviver pois além de estar apodrecendo a Escória dos Amaldiçoados continua a vagar pelo lugar, e estão sedentos… das cinzas as cinzas, do pó ao pó! Boa Sorte.”

###

Parabéns ao vencedor Vincent Vega pelo texto e vitória na promoção Dragon Age, realizada em parceria com a Jambô Editora.

http://universoinsonia.com.br/img_in/logo_jamboed.png

http://www.jamboeditora.com.br

… … …

http://a1.twimg.com/profile_images/437119069/foto_tiago_reasonably_small.jpg Tiago Castro é Estrategista de Conteúdo, Criação e Ideias. Agitador cultural. Aspirante a escritor de literatura fantástica. Pai. Marido. O criador do Universo Insônia e com ideias elevadas à potência máxima!

… … …

Publicitário, estrategista de conteúdo, organizador do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira e coorganizador dos eventos Fantasticon e Sarau Fantástico.

Twitter LinkedIn Google+ 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...